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ARTIGO | Cláusula de barreira para partidos: agora ou vai ou racha

Victor Pinto *

O menos pior que vimos o Congresso Nacional parir do remendo de Reforma Eleitoral aprovada pela Casa foi a cláusula de barreira a todos os partidos. Agora, para se manter ativa, a sigla precisará ter jogo de cintura, entrar de vez no campo político e arrebanhar votos suficientes que garantam a sua “manutenção ideológica”. Ou seja: no mercado das legendas de aluguéis a crise chegou.

Pelo texto da reforma, na próxima eleição, os 35 partidos existentes precisam de 1,5% do total de votos válidos distribuídos em nove estados ou mais. E em cada um desses estados a legenda precisa ter, no mínimo, 1% dos votos válidos ou eleger nove deputados distribuídos em, no mínimo, nove estados. No fim do processo, em 2030, a exigência será de pelo menos 3% dos votos válidos.

Se a determinação dos 3% tivesse sido colocada em vigor na última eleição, para se ter noção, somente 11 seriam mantidos. São eles: PT, PSDB, PMDB, PP, PSB, PSD, PR, PRB, DEM, PTB e PDT.

Pela força da lei, para ser candidato no Brasil é necessária a filiação em um partido político. A parte de um todo que deve conter uma “linha ideológica” aos contextos claros nacionais e assim poder entrar no jogo da campanha com propostas, ideias e ações. Pela lógica, venceria o melhor projeto. Mas não é isso que vemos.

Raro possuirmos partidos agarrados a sua ideologia. A sanha do poder, do cargo, do dinheiro, da barganha vale mais que qualquer objetivo de “fundação”. Para tudo se tem partido no Brasil e para o ralo se vai o dinheiro público, canalizado para mantê-los oficialmente.

Alguns partidos existentes servem apenas para alimentar a gordura dos presidentes nacional e estadual, controladores dos montantes. Vivem como apêndices e barganhadores do tempo de televisão, de ceder a legenda para que determinado aliado saia candidato e continuar ali mamando nas divinas tetas dos poderes Executivo e Legislativo.

Se perde a lógica do pluralismo? Sim! Os partidos maiores vão ser cada mais hegemônicos no processo político. Não foi em vão a aprovação da cláusula, pois cada um olhou para o próprio umbigo e mais partido é mais dinheiro e publicidade eleitoral a serem divididos. Mas como os nanicos não deram conta do recado e não se viabilizaram, vão arcar com as consequências.

A regra mudou. Se não entrar em campo e mostrar resultado não tem abrigo partidário e nem próxima eleição certa.

* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, sub editor de política do Bocão News, membro da coordenação da Rádio Excelsior da Bahia e diretor do jornal Correio do Mês de C. do Coité.

Artigo originalmente publicado na edição de sábado (11) do jornal Tribuna da Bahia

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ARTIGO | A necessidade de se resgatar o dois de julho

A data de dois de julho é feriado, mas os próprios baianos desconhecem a importância da data que representa a luta do povo brasileiro contra as tropas portuguesas e a concretização da verdadeira independência brasileira antes gritada por Dom Pedro I nas margens do Ipiranga.

Falta a valorização da história da nossa própria terra nas escolas e falta à valorização, principalmente, nos campos políticos, para que a nossa história seja reavivada a cada data.

Símbolo do movimento, 25 de junho, Cachoeira, desde os idos de 2007, por lei sancionada pelo governador Jaques Wagner (PT), se tornou capital da Bahia. Na história dos conflitos, isso realmente aconteceu. Quando o atual secretário de Desenvolvimento Econômico soube valorizar a data e o local recebeu uma enxurrada de elogios do movimento histórico e cultural.

Neste ano, contudo, o governo do Estado desprezou essa tradição. Como há a mudança da sede do governo e não há um sequer representante para participar da transição? Isso sem contar que o governador Rui Costa (PT) nunca foi, sequer, para hastear uma bandeira.

A história mostra que gestos dizem muito e na política não é diferente.

Outro ponto positivo creditado a Wagner nesta história, foi a instituição, por lei, nos idos de 2007 também, da adoção do Hino Oficial da Bahia ao Hino ao 2 de julho.

Muitos ainda acreditam que o Hino ao Senhor do Bonfim é o cântico oficial, contudo, tem tudo a ver com a independência. Pois foi o hino composto pelo centenário da independência baiana.

Muito além da guerra política pela separação dos portugueses e apoio ao grito de Dom Pedro I, há toda uma mística religiosa que perpassa da data. O clima já era de conflito, mas após a morte da Madre Joana Angélica, no Convento da Lapa, o sentimento de afronta à igreja Católica, cujos fieis eram predominantes na época, foi o estopim para aumentar o conflito.

Outra questão suscitada por historiadores e que remete a o misticismo ao Senhor do Bonfim é a de que o santo teria apoiado aos soldados brasileiros.

Na briga da independência, os portugueses retiraram a imagem do santo da igreja e a partir daquele momento houve um levante em prol do santo.

No fim das contas, conforme relatos da herança cultural, a imagem que representa Jesus Cristo “venerado na visão de sua morte” concedeu um “bom fim” as lutas pela independência.

Tantos outros personagens fizeram história e ainda são lembrados. Contudo, se não houver um resgate rápido e eficaz, uma introdução da história da independência nas grades curriculares, essa história e esse brilho se perderá.

 

* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, sub editor de política do Bocão News, membro da coordenação da Rádio Excelsior da Bahia e diretor do jornal Correio do Mês de C. do Coité.

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Coité: Vivemos na lua ou em queijo Suíço?

Situação da estrada (Crédito: Raimundo Mascarenhas)

Situação da estrada (Crédito: Raimundo Mascarenhas)

Daqui a algum tempo Conceição do Coité vai ficar ilhada. Não teremos mais saídas para Serrinha e nem para Riachão do Jacuípe. É inaceitável, para qualquer cidadão, olhar passivamente para a situação das nossas estradas na região do sisal. Um verdadeiro desmantelo. As crateras que se formam cada vez mais nos permitem a sensação de afirmar que moramos na lua ou em um queijo suíço.

Uma pena que o governador, quando esteve em Coité, não transitou de carro: o fato amargurou muita gente. O helicóptero, como de praxe, sobrevoou a cidade e aterrissou no estádio Vandão, este agora reformado e casa da Seleção Coiteense que tem prestado um excelente papel no Campeonato Intermunicipal.

Sobre as rodovias: já fecharam, já tocaram fogo e o que a secretaria de Infrestrutura faz? Promessas e mais promessas. Ambos os deputado locais, Alex da Piatã (PMDB) e Tom Araújo (DEM) fizeram pedidos ao governo para a resolução do problema. O peemedebista, apesar de partido opositor, faz parte do governo, tem uma proximidade maior com a gestão, e já bateu na porta de Marcus Cavalcanti diversas vezes.

A solução não é mais o tapa buraco. A solução é a reconstrução destas rodovias, principal a que liga Coité a Riachão. Uma viagem entre essas cidades que leva, em média, 30 minutos, agora leva uma hora.

Enquanto o ex-governador Wagner (PT) foi um construtor de estradas e boas, diga-se de passagem, pois nosso maior exemplo é a pista que liga Coité ao distrito de Salgadália, o governador Rui Costa leva no lombo o título inverso. Cavalcanti diz que falta dinheiro por conta da crise política. Sei não. Acho falta de vontade uma justificativa mais plausível.

O pior não é nada: tem cidades com a situação pior que a nossa. Creia!

Mas vamos esperar: que os carros pessoais, os de linha, as vans, os ônibus, principalmente São Martírio, ops… da São Matheus aguentem até o dia chegar.

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Artigo: Bom jogo democrático

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Alex Lopes

O ano de 2014 entra para a nossa história como o ano que aconteceu. E de fato, de tudo um pouco ou muito aconteceu e ainda está acontecendo. A melhor prova disto está na tensão pós-eleitoral evidenciada nos debates que ocorre nas redes sociais.

Desde a redemocratização, nunca se viu um pleito tão acirrado. Porém, o grau de partidarização que assolou a disputa tem gerado mais calor que luminosidade. Sem desprezar a importância das paixões nos grandes embates, chega uma hora em que as energias precisam projetar luzes sobre o presente a fim de visualizarmos as trilhas para o futuro.

Está na ordem do dia a reforma política. As distorções do nosso sistema eleitoral mais uma vez manifestadas neste pleito, somadas as denúncias de corrupção pelo País afora, não deixam dúvidas quanto ao seu imperativo. Porém, será que as forças políticas terão a capacidade de estabelecer diálogos em níveis que nos conduza a um novo pacto social?

As sociedades compõem-se de forças políticas e econômicas com interesses conflitantes. Para garantir sua harmonização, o Estado, antes dos Governos, precisa de legitimidade e sua legitimação só é alcançável por meio de uma relação honesta com a sociedade. Só o Estado em que o cidadão se reconheça é capaz de assegurar a ascensão e preservação de Governos legítmos. Portanto, a reforma política de que realmente necessitamos não se restringe apenas ao sistema eleitoral, devendo abranger uma revisão da própria estrutura do Estado Brasileiro.

A Legislatura que se iniciará em fevereiro de 2015 tem nesse debate o seu grande desafio. Só que para o seu êxito, é indispensável superar as históricas posturas do situacionismo acrítico e da oposição sectária. Estabelecer novos paradigmas no parlamento é indispensável a que a política seja aquilo que os Gregos preconizavam: o meio da realização do bem comum.

Neste sentido, a sociedade é chamada a assumir um papel mais proativo na rotina dos parlamentos. Se a política a todos afeta, então a todos deve interessar. Isto só será possível se os interesses comuns ocupar o centro da ação parlamentar, sem os subterfúgios que ultimamente tem construído uma imagem negativa das nossas instituições.

Sem abrir mão de suas convicções, as forças políticas precisam aceitar a decisão das urnas. No bom jogo democrático, os eleitos devem assumir suas responsabilidades governamentais, com os seus ônus e os seus bônus e aqueles que perderam não podem se furtar ao debate. Se aos vencedores não pode faltar a magnanimidade, aos vencidos deve sobejar a grandeza quanto a consciência de sua institucionalidade.

 

Alex1 

Alex é empresário, vice-prefeito de C. do Coité e deputado estadual eleito pelo PMDB.

 

 

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Opinião: Uma mira para 2016…

Por Victor Pinto

Câmara de Vereadores

Câmara de Vereadores

Nunca antes na história recente de Conceição do Coité houve uma disputa tão acirrada para a presidência da Câmara como a que vai ocorrer na próxima semana. Não desde quando eu me entendo como gente. A eleição do futuro chefe do Legislativo criou proporção que vislumbra uma ação para 2016. De um lado a oposição, recebedora de um novo apoio (antes governista) e que vê na cadeira maior do Plenário a chance de dar uma nova articulação na política local e do outro o governo, dentro de suas constantes contendas internas, que tenta continuar com o Legislativo em uma linha favorável e deixou para pensar, tardiamente, que muito pode mudar caso não aconteça um alinhamento.

Com um empate, o que pode acontecer, entra o mais velho e, sem articulação devida de uma das partes, o jogo pode virar para oposição ou situação. Eu só sei que, na próxima quarta, quem viver verá.

Por fim, definidos os candidatos: a situação vai da reeleição de Betão Gordiano (PT) e a oposição com Araújo (PSD).

A eleição não terminou em outubro de 2012 e muito menos na concorrência eleitoral de Tom e Alex, dentro do município, no início do mês passado. Ela ainda continua com apostas, torcidas e até organizações de carreata a depender do resultado da Câmara…

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Edição 101 entra em circulação

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Começou hoje a circulação da edição 101 do Correio do Mês. Trazemos na capa a disputa acirrada pelos votos de governador. Esse ano a majoritária conta com seis postulantes.

Você também poderá ler detalhes sobre o processo de transição da administração do Hospital Regional ao Hospital Português; quais são os candidatos coiteenses que estão na disputa e informações sobre a festa de motocross do povoado de Goiabeira.

Clique aqui e veja a edição completa

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Opinião | Lá se vai o rádio AM

Por Victor Pinto

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Ontem (08), a presidenta Dilma assinou o decreto que dá o ponta pé da migração das rádios AM para FM. Vai soar um pouco estranho no início. Trará benefícios técnicos as “aêmes”, pois teremos um som stereo e de melhor qualidade, mas em questão geográfica, elas perderão potência, a exemplo da rádio Nacional da Amazônia, que no total – ondas curtas e médias – não terá o poderio dos “600 quilos”.

Fico imaginando o que será de mim sem ouvir a Rádio Globo do Rio (1220AM) – nas ondas curtas – ou a Rádio Sociedade (840AM) – nas ondas médias -, em Coité, nas noites ao pé do meu Motoradio (presente de minha tia e herdado de minha bisavó) ou um velho rádio relógio Casio (http://zip.net/bvlrNg) que meus pais ganharam de presente de casamento há 20 anos. Os melhores aparelhos que tive para sintonizar a faixa da Amplitude Modulada. Vou sentir saudades. Amante de rádio que sou, já começo sentir a nostalgia, pois até o som da Rádio Sisal 900 AM de Coité, daqui alguns anos, não será mais o mesmo.

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